O futuro do varejo será tecnológico, mas continuará profundamente humano.”
1. O evento em números
A 58ª Convenção Nacional do Comércio Lojista – OmniVarejo 2026 foi realizada de 27 a 29 de agosto, no Centro de Convenções de João Pessoa (PB). Promovida pela CNDL, em parceria com a FCDL-PB e a CDL João Pessoa, reuniu mais de 2 mil empresários, dirigentes, executivos e especialistas.
• Tema central: “Onde o futuro do varejo nasce primeiro”.
• Quatro atos da programação: Experiência que encanta; Tecnologia que conecta; Autenticidade que conquista; Futuro que inspira.
• A delegação do Rio Grande do Sul reuniu mais de 115 lojistas e representantes de CDLs, uma das maiores delegações estaduais.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: O futuro do varejo não depende de uma única tecnologia. Ele nasce da combinação entre pessoas, experiência, gestão, confiança, dados e capacidade de execução.
2. Experiência: tecnologia não substitui encantamento
A provocação “Tecnologia não encanta, experiência sim”, apresentada por Caio Camargo, resumiu uma das ideias centrais do encontro. O avanço da inteligência artificial pode levar o consumidor ao chamado varejo da recomendação, em que agentes de IA pesquisam, comparam e participam das decisões de compra. Nesse cenário, preço e alternativas ficam ainda mais fáceis de comparar — e a experiência se torna um diferencial mais difícil de copiar.
• Atendimento, facilidade, pós-venda e personalização passam a fazer parte do próprio produto.
• Consistência e redução de atritos ajudam a transformar compras em hábito.
• Nos serviços, confiança e relacionamento têm peso ainda maior.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Revise a jornada do cliente e identifique onde existem atritos: demora, informações desencontradas, dificuldade de contato, pagamento ou pós-venda.
3. Omnicanalidade: o cliente não separa físico e digital
A jornada de compra pode começar no celular, passar por Instagram ou WhatsApp e terminar no site ou na loja física. Para o consumidor, esses pontos de contato pertencem à mesma empresa. Por isso, comunicação, estoque, cadastro, atendimento, pagamento e relacionamento precisam conversar.
• Não é necessário começar com uma estrutura tecnológica gigantesca.
• O essencial é oferecer continuidade entre os canais.
• A experiência prometida no digital precisa ser coerente com a experiência presencial.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Faça um teste como cliente: comece uma compra pelo Instagram ou WhatsApp e tente concluí-la na loja. Observe onde a experiência quebra.
4. Inteligência Artificial: começar pelo problema, não pela ferramenta
As discussões com Amazon Web Services, VTEX, Softcom e Walter Longo reforçaram uma orientação prática: antes de perguntar qual IA usar, a empresa deve definir qual problema deseja resolver. A tecnologia pode apoiar estoque, atendimento, produtividade, dados, vendas, comunicação, cadastro, logística e gestão.
• IA não precisa significar substituição de pessoas.
• Pode permitir que as mesmas equipes trabalhem com mais velocidade, informação e produtividade.
• Estratégia, repertório, cultura e decisão continuam dependendo de pessoas.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Escolha uma dor concreta do negócio, organize os dados disponíveis, faça um teste pequeno e meça o resultado antes de ampliar o uso da tecnologia.
5. Autenticidade: quanto mais digital, mais valor ganha o humano
A palestra “Venda é vínculo”, de Fabiano Zortéa, destacou que a conexão digital não elimina a necessidade de relações humanas verdadeiras. A loja física muda de função: além de vender, pode orientar, criar experiência, fortalecer comunidade e gerar confiança.
• Pequenos e médios negócios podem competir por proximidade e conhecimento do cliente.
• Identidade regional e atendimento personalizado são vantagens relevantes.
• Inovação deve fazer parte da cultura da empresa, e não apenas de um setor de tecnologia.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Defina quais características humanas e locais fazem sua empresa ser lembrada e transforme isso em padrão de atendimento e comunicação.
6. Cultura interna: a experiência do cliente começa na equipe
Lizete Ribeiro, do Grupo Tauá, mostrou que hospitalidade e encantamento precisam virar processo, treinamento, indicadores e reconhecimento. Fachada, marketing e tecnologia perdem força quando a equipe que encontra o consumidor não está preparada e alinhada.
• Cultura não é apenas discurso: precisa aparecer na rotina.
• Treinamento e reconhecimento influenciam diretamente a experiência entregue.
• A lógica vale para comércio, clínicas, imobiliárias, escritórios, restaurantes e outros serviços.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Pergunte se sua equipe sabe, de forma clara, qual experiência a empresa deseja entregar ao cliente e se possui autonomia e treinamento para fazê-lo.
7. Era da Reconfiguração: o concorrente pode vir de outro lugar
Fabio Neto, da StartSe, chamou atenção para mudanças simultâneas em tecnologia, comportamento, trabalho e consumo. Fenômenos de saúde, entretenimento e cultura podem alterar a forma como as pessoas gastam dinheiro e, consequentemente, transformar categorias inteiras.
• Monitorar apenas concorrentes diretos já não é suficiente.
• Mudanças no comportamento podem retirar ou redirecionar orçamento do consumidor.
• A estratégia precisa observar tendências que acontecem fora do próprio setor.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Além de perguntar “quem são meus concorrentes?”, acompanhe “o que está mudando a forma como meu cliente vive e gasta?”.
8. Dados, crédito e gestão: o básico bem feito continua decisivo
O painel com SPC Brasil, Visa e Sebrae trouxe a transformação para a realidade cotidiana das empresas. Organização financeira, conhecimento dos próprios números, dados consistentes e antecipação de problemas continuam sendo fundamentos para qualquer avanço tecnológico.
• Dados melhores ajudam a tomar decisões de crédito mais adequadas.
• Gestão organizada reduz riscos e melhora a eficiência.
• Transformação digital sem processos e números confiáveis não resolve problemas estruturais.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Antes de investir em soluções sofisticadas, confira se indicadores, cadastros, fluxo financeiro e informações essenciais do negócio estão organizados.
9. Liderança: inovação precisa virar ação
Dafna Blaschkauer encerrou o conteúdo técnico destacando três funções da liderança: inspirar, impulsionar e impactar. Em um cenário no qual muitas empresas terão acesso às mesmas ferramentas, a vantagem estará na capacidade de transformar conhecimento em execução.
• Ferramenta sem liderança não gera transformação.
• Mudanças precisam de responsáveis, prioridades e acompanhamento.
• Aprender continuamente passa a ser competência estratégica.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Escolha uma ideia relevante, defina um responsável, um prazo e um indicador. Conhecimento só gera valor quando entra na operação.
10. A principal mensagem do OmniVarejo 2026
O encontro não apresentou o futuro como uma tecnologia específica. A mensagem foi mais ampla: preparar-se para o futuro significa construir uma empresa capaz de se adaptar continuamente.
• O consumidor está mais conectado, informado, impaciente e cercado de alternativas.
• A inteligência artificial começa a participar da descoberta e da escolha de produtos e serviços.
• Físico e digital se misturam.
• Novos concorrentes e mudanças de comportamento surgem de lugares inesperados.
• Confiança, relacionamento, atendimento, cultura e autenticidade ganham ainda mais valor.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Não vence necessariamente quem tiver mais tecnologia. Vence quem souber usá-la para conhecer melhor o cliente, reduzir atritos, ganhar eficiência e liberar as pessoas para criar confiança, vínculo e experiência.
11. A participação da CDL Erechim
Representaram a CDL Erechim no OmniVarejo 2026 a presidente Débora Balbinotti Lunardi, a gestora Michele Manfron Dassi e as diretoras Sandra Rigo e Iolanda Lourenci Käfer. Débora também atua como diretora da CDL Mulher RS, vinculada à Federação Varejista do Rio Grande do Sul.
A presença da delegação aproxima os empresários de Erechim das discussões que estão acontecendo no mais alto nível do varejo brasileiro. Mais do que buscar tendências, a participação permite interpretar conhecimentos e trazê-los para desafios concretos das empresas locais: vender mais, atender melhor, administrar custos, desenvolver equipes, competir no ambiente digital e acompanhar um consumidor em rápida transformação.
PARA LEVAR AO NEGÓCIO: Uma CDL contemporânea não apenas representa o comércio: também antecipa discussões, conecta empresários ao conhecimento e ajuda seus associados a se prepararem para as mudanças do mercado.
12. CDL Mulher RS: conhecimento que pode se multiplicar
A atuação de Débora Balbinotti Lunardi na CDL Mulher RS amplia o alcance das experiências trazidas do evento. O movimento trabalha capacitação, networking, desenvolvimento empresarial e ampliação da participação feminina no associativismo e no empreendedorismo gaúcho. Conhecimentos de um encontro nacional como o OmniVarejo podem alimentar novas discussões, projetos e capacitações para mulheres empresárias em diferentes regiões do Estado.
13. Checklist para o associado: 8 perguntas para levar à empresa
1. Onde o cliente encontra mais atrito ao comprar ou ser atendido pela minha empresa?
2. Instagram, WhatsApp, site e loja física entregam uma experiência coerente?
3. Qual problema real do negócio poderia ser resolvido ou reduzido com tecnologia ou IA?
4. Minha equipe conhece a experiência que queremos entregar ao cliente?
5. O que a minha empresa oferece que uma grande rede ou plataforma digital tem dificuldade de copiar?
6. Estou observando mudanças de comportamento do consumidor além dos meus concorrentes diretos?
7. Tenho dados, números e processos organizados para tomar decisões melhores?
8. Qual aprendizado posso transformar em uma ação concreta nos próximos 30 dias?
14. Síntese para compartilhar
O OmniVarejo 2026 mostrou que não existe mais espaço para separar tecnologia de pessoas, digital de físico, atendimento de gestão ou inovação de resultado. O varejo preparado para os próximos anos será aquele capaz de aprender continuamente, conhecer profundamente seu consumidor, utilizar dados e inteligência artificial com propósito, desenvolver suas equipes e preservar aquilo que nenhuma tecnologia substitui: confiança, relacionamento e identidade.
CDL Erechim 60 anos: Conectando conhecimento, empresas e desenvolvimento.
